De repente seu chefe te liga. O mundo parece desaparecer sob seus pés quando você ouve a frase “precisamos montar uma palestra importante para clientes-chave e você será o palestrante”!
Por toda sua vida você correu desse problema. Enfiava a cara no Powerpoint e ficava lendo, as vezes tentava memorizar todo o conteúdo da fala para não dar mais pânico, fazia colas, simulava rouquidão, entre “n” peripécias para escapar do fato que nunca estudou ou treinou oratória.
E agora, a desgraça bate à sua porta. Pois estarão lá clientes importantes, que certamente não vou engolir uma palestrinha meia-boca de 10 minutos. Eles não pegaram seus carros, gastaram um tempo precioso para isso. Eles vão querer questionar, duvidar, criticar. E você sabe muito bem que não está preparado para isso.
E porquê? Por jamais ter tido a coragem de enfrentar seus medos, ou investir em você para superar suas limitações? Qualquer que seja o motivo, agora é tarde demais…
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Este tem sido um retrato fiel de diversas “demissões pós fracasso” ou, no mínimo, “congelamentos de carreira” não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
O medo de falar em público é um ciclo vicioso. A pessoa sabe que tem medo, que é incapaz de falar bem em público, e esse mesmo medo a impede de procurar um curso sério e se superar.
Quando muito, apela para esses cursinhos picaretóides de 500 reais que existem por aí (tem até de 100…), porque não acreditam que valha a pena investir no assunto. E o resultado? Óbvio. Não aprendem nada e saem tal qual entraram.
Seria mais ou menos como uma pessoa que tem medo de correr e resolve “investir” comprando um tênis paraguaio torto que lhe machuca o pé. O medo não apenas persiste como aumenta. E o pior, a pessoa passa a achar que a culpa é dele, e não do tênis porcaria (curso porcaria).
E claro, sempre existe aquela infantilidade de se perguntar “porque pagar 10x num Nike, se posso pagar um décimo disso num “Noike” paraguaio”. A resposta é óbvia: você paga pela qualidade, e resultados. Um é top de mercado. O outro, uma enganação feita para passar a perna em trouxas e desavisados. Um foi feito para trazer vantagens, o outro apenas traz problemas (tendinites, torções, etc).
E no caso da oratória é pior. Enquanto uma tendinite você cura com pomada, uma trauma interno, bem como técnicas erradas que foram assimiladas demoram muito para se consertar. E o pior é que, perder tempo quando se está numa carreira, pode ser mortal. Pois, mesmo que um dia vc conserte o problema, o seu tempo já passou.
Existem no Brasil milhares de cursos de Oratória. O único problema é que quase todos são “não especializados” ou seja, a mesma empresa que ensina oratória, ensina memorização, ensina “neurolinguistica” (fuja disso, não funciona), e se bobear entrega pizza e tira xerox…
Ora, se a empresa é realmente séria, e tem sucesso na oratória, deveria ter um número suficiente de alunos para se manter apenas disso, não acha?
Mas, infelizmente, o que prevalece no Brasil é a ingenuidade do consumidor de um lado, bem como a esperteza dos cursinhos caça-niqueis do outro.
E esse não é um retrato apenas da Oratória não. Quem se lembra dos famosos cursos de Inglês “aprenda em 20 semanas”, depois de algum tempo tinha curso prometendo fluência em até menos de 10 semanas…
Infelizmente porém, os únicos cursos especializados em oratória no Brasil são caros demais para a gigantesca maioria dos brasileiros, a saber o curso de oratoria do Instituto Moreira Necho e o Reynaldo Pollyrto, ambos custando acima de 2000 reais.
O grande problema é que, além da necessidade de uma estrutura que a maioria dos cursos não tem. Lecionar Oratória não é para qualquer um. Não basta saber fazer discurso ou falar bonito. Tem que ser professor com “P” maiúsculo.
Quantos professores não vemos na faculdade, que são uma grandes em suas áreas, mas suas aulas são péssimas?
Em suma, este texto visa apenas retratar uma realidade no país, e, se há um conselho que se pode dar, em especial àqueles que não tem grana para fazer um curso “top”, é: pesquise muito. Assista várias aulas de demonstração. Se o curso for daqueles desconhecidos, nunca feche na primeira apresentação que assistir.
Mas acima de tudo. Tome uma atitude antes que seja tarde. Não espere seu chefe te chamar para dar uma palestra importante… Pois aí pode ser tarde demais…
Duvida? Olhe só o que acontece com alguém que tentar falar em público mas não está preparado (fim de carreira).
